Brizolistas marcham divididos nas eleições

Parte do PDT do Rio defende candidatura própria e resiste a fechar aliança com o PMDB do governador Pezão

Por O Dia

Rio - Fundado pelo ex-governador Leonel Brizola, o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que esta semana formalizou o apoio à candidatura à reeleição da presidenta Dilma Rousseff, vive tempos de ocaso político. Principal legenda do Rio de Janeiro nos anos 1980, o PDT está hoje dividido: de um lado, o atual presidente Carlos Lupi; de outro, Leonel Brizola Neto, herdeiro político do criador do partido. Eles se digladiam sobretudo sobre as alianças fechadas nos estados para as eleições de 2014.

Enquanto Lupi, que pretende disputar uma vaga de deputado federal, é favorável à coligação com o PMDB do Rio; Brizola Neto defende um voo solo do partido no estado.

As divergências entre os dois são antigas e datam do início do governo Dilma, quando o PDT assumiu o comando do Ministério do Trabalho. Lupi foi o primeiro ministro, seguido de Brizola Neto. Hoje, no cargo está Manoel Dias, da ala comandada pelo presidente da sigla.

Carlos Lupi (E)%2C que substitui Leonel Brizola no comando do partido%2C defende uma política de aliançasCarlo Wrede / Agência O Dia

Com um ano de existência, o PDT estreou nas eleições de 1982 fazendo história e tornando-se o terceiro maior partido do país, atrás dos dois que atravessaram a ditadura: o PDS, então nova sigla da Arena, e o PMDB, que substituía o MDB.

Em âmbito estadual, elegeu o governador Leonel Brizola e o senador Saturnino Braga. No Legislativo, o PDT fez a maior bancada para a Câmara — com 16 dos 46 deputados federais — quanto para Assembleia Legislativa, conquistando 24 das 70 cadeiras. Na época, os brizolistas foram os deputados mais votados: Agnaldo Timóteo e Yara Vargas.

Mas, passadas três décadas, o partido no Rio hoje conta com apenas um representante em Brasília e seis na Alerj. Na Câmara de Vereadores, apenas Leonel Brizola Neto, herdeiro político das bandeiras do avô, como educação. “O PDT, hoje, infelizmente não sabe para onde vai. Num lugar apoia o DEM, noutro o PSDB, e, aqui no Rio, o PMDB de Cabral e Pezão”, diz o vereador.

Para ele, o PDT não devera ficar em governo nenhum ou pedir cargos. “O papel do partido é negociar propostas em defesa da educação. Foi para isso que meu avô fundou o PDT”, afirma, emocionado, Brizola Neto.

Fora do PDT, mas seguidor de Brizola

Eleito deputado estadual em 2010 pelo PDT, onde fez sua carreira política desde os anos 1980, Paulo Ramos, hoje no Psol, ainda se considera brizolista. E defensor do trabalhismo. “Continuo conduzindo minha vida política com base nos ideais de Getúlio, Jango e Brizola. Mas, à medida que o PDT se tornou partido de donos, onde não se exercita a democracia interna, automaticamente ele se distancia dos propósitos que o fundaram”, diz Ramos.

O parlamentar garante que nos tempos de Brizola havia, sim, democracia no partido, diferentemente do que pregam os desafetos do ex-governador. “Os municípios tinham independência”, explica Paulo Ramos.

Ele reconhece que a palavra final cabia a Brizola, mas diz que o líder sempre ouvia a militância e, muitas vezes, era convencido por ela. “A mídia retratava um Brizola autoritário, mas era um democrata e que tinha na democracia o seu projeto de país”, afirma.

Representante da nova geração, o deputado estadual Felipe Peixoto, que será candidato a vice-governador na chapa de Luiz Fernando Pezão, não quer briga com Brizola Neto. “Pezão tem sua formação no PDT.

Sua esposa é filiada ao partido até hoje. Quando ele foi prefeito de Piraí, pelo PDT, criou escolas em tempo integral. E, no seu discurso de posse como governador, falou apenas no Brizola. E anunciou a construção de escolas. Não vejo nenhum conflito ideológico entre o Pezão e o PDT”, afirma Felipe Peixoto.

Brizola Neto se recusa a aceitar a ideia do correligionário. “Minha tendência é por alguém que rompa com tudo isso que está aí, com esse poder hegemônico nas mãos do PMDB”, conclui.

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