Mãe da ativista Sininho está em Bangu à espera da libertação da filha

Amigos e parentes aguardam a saída dos ativistas do Complexo Penitenciário de Gericinó

Por O Dia

Rio - A mãe da ativista Elisa Quadros, a Sininho, chegou na tarde desta quinta-feira ao Complexo Penitenciário de Gericinó,em Bangu, na Zona Oeste, para receber a filha. A libertação de Sininho, de Camila Aparecida Rodrigues Jourdan e de Igor Pereira D' Icarahy deve ocorrer a qualquer momento.

Mãe de Sininho espera filha sair do presídio de BanguSandro Vox / Agência O Dia

Um grupo de manifestantes está na porta do presídio aguardando a saída dos amigos. O juiz Siro Darlan concedeu novo habeas corpus para os 23 ativistas que tiveram a prisão decretada no último dia 18. 

Em sua decisão, ele considerou que os 23 ativistas acusados de participarem de protestos violentos no último ano “não representam perigo a ordem pública” e concedeu no fim da tarde de ontem habeas corpus a todos os acusados. A decisão revoga a prisão preventiva decretada na última sexta-feira pelo juiz da 27ª Vara Criminal, Flávio Itabaiana.

“A decisão confirma a anterior, que entendia que a prisão era ilegal”, comentou o advogado Edson Fontes, que representa Drean Moraes de Moura Corrêa, o ‘DR’, apontado pela polícia e pelo Ministério Público do Rio como uma das lideranças da Frente Independente Popular (FIP). Drean, como outros 17, estava foragido.

A medida põe em liberdade os três ativistas, presos desde o dia 12 de julho. Os outros acusados deixam de ser considerados foragidos. Já Fabio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza são réus em outra ação penal por terem soltado o rojão que provocou a morte do cinegrafista Santiago Andrade, em fevereiro deste ano, durante manifestação em frente à Central do Brasil.

Pouco depois de proferir sua decisão, Siro Darlan publicou no Facebook a letra da música ‘Felicidade’, cantada por Caetano Veloso: “O pensamento parece uma coisa à toa. Mas como é que a gente voa, quando começa a pensar”. E encerrou com um “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós.”

Ao longo da semana, o magistrado criticou a forma como o processo foi conduzido pela Polícia Civil. Ele questionou a falta de acesso aos autos, bem como a atitude do delegado-titular da Delegacia de Repressão a Crimes da Informática (DRCI), Alessandro Thiers.

Segundo Darlan, o delegado ignorou ofício que pedia a documentação relativa ao inquérito contra os 23 ativistas. A Polícia Civil, entretanto, afirmou que o ofício não foi recebido. Após receber a notícia do habeas corpus, o advogado Marino D’Icarahy comemorou. “Estou feliz duplamente: como advogado e como pai”, disse, pedindo para que “a sociedade utilize a decisão do desembargador para refletir sobre os linchamentos públicos. A pessoa só é considerada culpada por algo quando o processo está julgado”, lembrou D’Icarahy.

Segundo os advogados dos ativistas, a partir de agora os documentos serão lidos para que cada acusação possa ser contestada. “Vamos estudar tudo o que está dito no inquérito e derrubaremos todas as acusações”, afirmou.

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