Degase exonera subdiretor que teve o nome envolvido em caso de pedofilia

Roberto Peixoto foi afastado neste sábado. O autor do crime, Sergio da Silva Oliveira Jr. foi preso, pagou fiança e foi liberado

Por O Dia

Roberto Bassan Peixoto em palestra no Mato Grosso do Sul%2C em março de 2012Divulgação (arquivo)

Rio - O subdiretor do Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase), Roberto Bassan Peixoto, foi exonerado do cargo neste sábado, após ser denunciado por suposto envolvimento em caso de pedofilia envolvendo duas irmãs, de 11 e 13 anos. De acordo com o órgão, o afastamento do subdiretor geral é imediato. Além da exoneração, o Degase afirmou, em nota, que averiguação interna será realizada para apurar os fatos.

Segundo a Polícia Civil, Bassan Peixoto estava no carro ao lado de Sérgio da Silva Oliveira Júnior, operador de empresa de telefonia, preso por policiais do 6º BPM (Tijuca) em flagrante. Ambos estariam aguardando as garotas em um bar de Vila Isabel, no início da tarde de sexta-feira.

O caso foi registrado na 19ª DP (Tijuca), como aliciamento de menor para prática sexual. O envolvimento de Bassan Peixoto é investigado. Sérgio vai responder em liberdade.

Pai 'marcou' encontro

O falso encontro foi marcado pelo pai das meninas, que estranhou uma mensagem no celular da caçula. Segundo o delegado-adjunto da 19ª DP, André Uchôa, os textos enviados tinham forte conteúdo sexual.

“Eu só deixo ela acessar a rede social pelo meu telefone. Eu vi a mensagem desse rapaz, alto, forte, grande, para minha filha de 11 anos e me perguntei o que ele queria conversar com ela. Foi quando eu li as mensagens chamando ela de ‘anjo’”, afirmou o pai das adolescentes, que se passou pela filha e teria sido convidado por Sérgio para orgia em motel.

Ainda segundo a investigação, o acusado teria pedido para que a menina levasse uma amiga, pois ele também levaria um amigo dele para ‘curtir uma suíte’, dizia trecho da conversa. “Isso é importante para que os pais olhem o que as crianças estão fazendo na internet”, aconselhou o pai. “Minhas filhas estão assustadas, não sabiam que iriam passar por este sofrimento todo.”

Em depoimento, Peixoto disse ao delegado André Uchôa que Sérgio o levaria para encontrar mulheres maiores de idade. A versão foi confirmada por Sérgio ao prestar esclarecimentos. A Polícia Civil irá apurar se Peixoto tinha ou não conhecimento que o encontro seria com duas menores. Ele foi liberado após prestar depoimento, e Sérgio, após pagar fiança de R$ 7 mil. “O suspeito adicionou a menina numa rede social na internet, não relatou o tempo que vinham conversando, mas admitiu que tinha mantido contatos anteriores e que tinha vontade de se encontrar com ela”, afirmou o delegado.

Sociólogo, educador social e palestrante

O ex-subdiretor do Degase Roberto Bassan Peixoto é formado em Sociologia pela Universidade Estadual de Londrina, no no Paraná e fez iniciação científica com bolsa pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Em sua tese defendeu o tema ‘A Juventude na Interface da Violência e das Drogas: vítimas e atores’. Peixoto também fez parte do grupo de pesquisas ‘Catálogo sobre Juventudes: (Re) Conhecendo Diversidades e Desigualdades Juvenis’. 

Foi educador social em Londrina, diretor do Centro de Socioeducação de Foz de Iguaçu e diretor-técnico do Instituto de Ação Social do Paraná, além de ser palestrante especialista em medidas socioeducativas, adolescentes em conflito com a lei e direitos humanos.

Foi presidente do Fórum Nacional de Gestores Estaduais do Sistema Socioeducativo (Fona Criad) e superintendente de Políticas para Infância e Juventude, Coordenador de Socioeducação da Secretaria de Estado da Criança e da Juventude do Paraná. Peixoto foi procurado durante esta reportagem para apresentar sua versão do caso, mas O DIA não conseguiu localizá-lo.

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