Teleférico em manutenção não tem data para voltar

No Alemão, moradores sobem morro a pé, e comerciantes amargam prejuízos

Por O Dia

Jefferson chegou do trabalho e%2C outra vez%2C encontrou teleférico paradoAlexandre Brum / Agência O Dia

Rio - A manutenção preventiva no Teleférico do Alemão, que atinge em cheio o bolso de moradores e comerciantes do complexo, ainda não tem data para acabar. Na Estação Palmeiras, os donos de barracas amargam duas semanas de prejuízos.

“Tem gente que está até passando fome, já que não pode levar a barraca para outro lugar”, lamenta o guia de turismo e comerciante Kléber Araújo. Segundo ele, nenhum aviso ou prazo foi dado pela SuperVia, concessionária responsável pelo teleférico. “Eu quero saber quando vamos poder voltar a trabalhar.”

A SuperVia não dá prazo para o término dos serviços. Segundo a concessionária, a parada tem como objetivo o ajuste do tensionamento dos cabos de sustentação das gôndolas. A medida foi determinada pelo fabricante.

Moradores também sofrem com a paralisação, como é o caso do motorista Jefferson da Silva Santos, de 25 anos, que mora próximo à Estação Adeus. “Eu vou subir a favela a pé; a falta do teleférico está me prejudicando muito”, reclamou o rapaz, ao ver que o transporte continuava fora de serviço.

Gleicy Kelly Soares, 22, mora em frente à Estação Baiana e para chegar em casa tem que pegar um ônibus pago do próprio bolso. “No trabalho todos sabem que pego o trem e o teleférico e me dão a conta certa. Agora tenho que inteirar do meu dinheiro.” Segundo ela, o problema vai além do gasto inesperado. “Os ônibus andam superlotados, demoram a passar. Com o teleférico eu chegava em casa rapidinho, agora demoro muito.”

Gleicy diz que a concessionária não dá informações. “Eu pergunto, e os funcionários não sabem dizer nada. Deveriam pelo menos dizer quando acaba.” A reclamação dela é partilhada por Hélder dos Santos Marinho, 17, morador da Palmeira, última estação do ramal. “O ônibus não vai até lá em cima, então vou nele um pedaço e no restante do caminho vou a pé.”

Em nota, a Secretaria Estadual de Transportes afirmou que os moradores do Alemão foram previamente alertados na comunidade e nas estações sobre a manutenção. A previsão é que os trabalhos nos cabos estejam concluídos até a primeira quinzena de maio.

LICITAÇÃO PARA O SERVIÇO FINALMENTE VAI SAIR

Com quase quatro anos de funcionamento, o Teleférico do Alemão, finalmente, vai ser alvo de licitação. A concorrência pública é prevista para junho. Para assumir a administração, a ganhadora vai receber do governo R$ 38 milhões por ano. Como o contrato é para três anos, a vencedora embolsará R$ 114 milhões. O valor é praticamente o mesmo que a SuperVia já ganhou para ficar com essa responsabilidade.

A diferença, no entanto, é que a concessionária que administra os trens do estado nunca precisou participar de licitação para operar o teleférico. Segundo o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, a decisão de se fazer uma concorrência pública atende a recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público Estadual. Além disso, o contrato com a SuperVia, termina dia 7 de junho — data em que completa quatro anos de funcionamento.

A empresa que ganhar a concorrência poderá explorar o serviço, sem, no entanto, ficar com o que for arrecadado com a bilhetagem. Com 3,5 quilômetros de extensão, seis estações e 152 gôndolas, o teleférico já teve que ser fechado algumas vezes por causa de tiroteios. “Estamos otimistas. Doze empresas já pegaram o edital. Não acredito que seja uma licitação deserta (sem interessados). Se isso acontecer, o jeito vai ser estender o prazo com a SuperVia até ocorrer uma nova concorrência”, explicou o secretário.

A licitação para administrar o sistema já deveria ter ocorrido. No último dia 16, o processo foi adiado, por solicitação do TCE. O órgão fiscalizador do estado queria mais esclarecimentos sobre o edital. Segundo Osório, as solicitações serão respondidas até a próxima semana.

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