Fotógrafos são vítimas de 'rede' de boatos na internet

Profissionais eram apontados como integrantes de quadrilha que sequestrava crianças, mas que na verdade que não existe

Por O Dia

Rio -  Uma falsa denúncia divulgada nas redes sociais fez com que fotógrafos profissionais de uma cooperativa passassem a sofrer ameaças. Uma delas, Márcia Daiane Luis Santos, de 25 anos, registrou o caso em uma delegacia.

Segundo a profissional, que faz trabalhos com crianças, uma mulher, identificada apenas como Jaqueline e que seria esposa de um policial militar, fez a publicação onde a acusava falsamente os fotógrafos de sequestrar crianças.

No texto, Jaqueline dizia, a respeito de uma imagem da fotógrafa: “Esta mulher abordou a esposa de um companheiro e tirou fotos de crianças. Vamos divulgar.”

Márcia Daiane sofreu ameaças e registrou o caso na delegaciaUanderson Fernandes / Agência O Dia

Segundo Márcia, não demorou para a mensagem se proliferar e ela receber ameaças. Além dela, outros profissionais da cooperativa que emprega 70 fotógrafos, também foram intimidados.

“A mulher divulgou o nome da nossa empresa e outros funcionários estão sofrendo represálias, sendo ameaçados. Estamos desestabilizados. Tem cliente que comprou a foto ligou para o vendedor não entregar o produto porque está com medo”, relatou Felipe Campos, 26 anos, funcionário da empresa.

Moradora de Vigário Geral, Márcia teve que mudar sua rotina após as ameaças começarem. “Não consigo sair de casa e estou com muito medo pela minha filha de 2 anos. Não consigo dormir e vou passar esta noite em claro”, afirmou. “Não costumo passar Whatsapp. Mas ela me recebeu muito bem e abri uma exceção”, disse a fotógrafa, referindo-se à acusada

Procurada pelo DIA, a autora das denúncias não atendeu as ligações. A 34ª DP (Bangu) desmentiu a existência de sequestros de crianças na região.

O caso vem à tona ao mesmo tempo que um boato sobre um casal que estaria sequestrando crianças para a retirada de órgãos se espalhou desde o início da semana em Duque de Caxias. Porém, a assessoria de imprensa da Polícia Civil afirmou que também não há registro de sequestro na região.

Ano passado, uma mulher foi linchada e morreu em Guarujá (SP) após sua imagem ter sido divulgada nas redes sociais como uma suposta autora de rituais com crianças.

Reportagem de Lucas Gayoso

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