Centro é dividido em oito regiões para revitalização

Projeto Centro para Todos vai criar uma cultura de conservação da cidade através de mutirão com atuação simultânea de dez secretarias municipais

Por O Dia

Rio - As obras de transformação urbana da Zona Portuária e do Centro do Rio entram na reta final, mas vem mais pela frente. A prefeitura começou a cuidar dos arredores da região, que está sendo repaginada pelo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o BRT Transbrasil e novas estruturas viárias, como a Via Binário, o Túnel Rio 450 e a Via Expressa.

Para isso, o Centro foi dividido em oito áreas. Elas serão revitalizadas, uma por mês, por um mutirão muito bem-vindo que envolve CET-Rio, Comlurb, Guarda Municipal, RioLuz, Secretaria de Conservação (Seconserva), Ordem Pública (Seop), Secretaria de Desenvolvimento Social (SMDS) e Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).

“Precisamos cuidar da limpeza, iluminação e da calçada, abordar melhor os moradores de rua, os ambulantes irregulares e as muitas ilegalidades. São problemas conhecidos, mas agora será feito um esforço colossal para resolvê-los”, explica Washington Fajardo, presidente do IRPH.

Projeto-piloto foi implantado na Praça Tiradentes%2C cujos resultados já podem ser vistos. Mutirão agora está no coração financeiro do CentroDivulgação

Em julho, a região da Praça Tiradentes foi utilizada como laboratório. Com aprovação. Neste mês, a prefeitura já começou as intervenções na segunda região, o Centro Financeiro. Com 286 mil metros quadrados, a área é delimitada pela Rua Uruguaiana, a Avenida Presidente Vargas e as ruas Primeiro de Março e Nilo Peçanha. Compreende ainda as vias com maior adensamento de empresas financeiras. As ações têm foco na Buenos Aires, do Rosário, Ouvidor, da Quitanda e São José, fora o entorno.

Além da Praça Tiradentes e do Centro Financeiro, o Centro foi dividido em outras seis áreas para colocar em prática o projeto: Praça 15, Cinelândia, Lapa, Cruz Vermelha, Saara e Castelo. A cada mês, as equipes trabalharão em um dos locais de forma integrada.

“O Centro está passando por uma grande transformação. E a prefeitura raramente fazia um trabalho integrado entre as secretarias. Queremos mais do que revitalizar a região: queremos criar uma cultura de coordenação de serviços em toda a cidade para otimizar o trabalho de todos”, esclarece Fajardo.

A próxima região a passar pelo mutirão de conservação será a Praça 15, que já está com cara nova desde o ano passado, quando foi demolida a parte do Elevado da Perimetral sobre o local. “É uma região que precisa de atenção, não basta apenas fazer VLT”, cobra Rita Lemos, moradora de Niterói que passa por aquela esplanada diariamente.

População aprova melhorias e pede atenção especial com a segurança

A revitalização do Centro do Rio era uma demanda antiga dos cariocas. E uma preocupação depois do início das obras na área de mobilidade urbana que tomam conta da região. “A gente olhava para estes canteiros de obras e se perguntava se o restante do Centro não seria atendido. Tem muita coisa irregular, malcuidada. É calçada esburacada para um lado, sinalização quebrada, sujeira e, sobretudo, falta de segurança. Este é o principal problema”, cobrou o advogado Régis Macedo, morador da Tijuca.

A bibliotecária Carmem de Oliveira também reclamou da falta de segurança na região, a qualquer hora do dia. Mas comemorou as intervenções que, segundo ela, eram um anseio de todos que trabalham no Centro. “Era uma região completamente largada. Já era ruim antes das obras. Depois, ficou muito pior. Já não era sem tempo de fazer alguma coisa, mesmo antes do término do quebra-quebra”, pediu. Washington Fajardo informou que as melhorias também serão na área de segurança, uma das mais beneficiadas pela revitalização do local.

Clique sobre a imagem para a completa visualizaçãoArte O Dia

“As equipes de todas as secretarias vão às ruas juntas. Assim, a Guarda Municipal vai poder mostrar à Seconserva, por exemplo, onde é preciso fazer a poda de uma árvore, à RioLuz onde é preciso melhorar a iluminação. Isto resultará numa melhor sensação de segurança e numa melhoria do trabalho dos guardas municipais como um todo”, explicou Fajardo.

Novos projetos na Tiradentes

A primeira etapa do projeto Centro para Todos, com a revitalização da região no entorno da Praça Tiradentes, foi aprovada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. “Já conseguimos perceber uma diferença na região. Houve uma grande melhoria de iluminação das ruas prioritárias. Também há trabalhos constantes na abordagem de moradores de rua, manutenção de calçadas e limpeza, e uma constante fiscalização”, afirmou Fajardo.

As melhorias, no entanto, não ficarão restritas ao que foi feito no mês passado. O projeto prevê uma atenção constante na região para que a reforma não seja descontinuada. E que haja manutenção de tudo o que foi feito. “Já estamos pensando em estratégias futuras para a região. É um local que precisa de mais verde e de novos tipos de mobiliário urbano padronizado”, adiantou o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.


Rio se inspira em centros da A. Latina

A inspiração para a revitalização do Centro do Rio não vem de longe, de cidades europeias, como muitos podem imaginar. O modelo vem de alguns países da América Latina, como Chile, Argentina e Equador, cujas capitais são muito bem conservadas.

“Os centros das cidades latino-americanas são bem cuidados. E o Centro do Rio tem parte da história deste país. É um lugar democrático, de diversidade cultural, onde todas as classes sociais convivem em harmonia. Não podia ficar do jeito que estava”, admitiu Washington Fajardo.

A turista argentina Maria Isabel Gusmán, de 23 anos, que está no Rio pela primeira vez, se surpreendeu com a desordem no Centro. “A gente sabe que a cidade vai sediar as Olimpíadas, e eu já imaginava que encontraria muitas obras. Mas ainda assim achei o Centro muito malcuidado e perigoso. As melhorias vão dar uma cara nova a toda a cidade”, aposta a turista.

Washington Fajardo concorda com a visitante e diz que a tarefa tem de ser compartilhada com a sociedade civil. “Precisamos de mais parcerias, mas para isso a prefeitura tinha que fazer um mínimo. E estamos começando a fazer”, disse.

Últimas de Rio De Janeiro