PMs são presos após assassinato de cinco jovens no Complexo da Pedreira

Segundo parentes das vítimas, os agentes tentaram alterar a cena do crime. Vídeo circulando na Internet mostra arma caída perto de carro fuzilado

Por O Dia

Rio - Feliz com o primeiro salário, o morador do Morro da Lagartixa, no Complexo do Chapadão, Roberto de Souza Penha, de 16 anos, saiu com os amigos para comemorar. Foram ao shopping, onde ele comprou um telefone celular, ao Parque de Madureira e depois voltaram para casa. Mas, Roberto não teve tempo de usar o aparelho. Poucas horas depois, ele, os irmãos Wesley Castro, de 25, e Wilton Esteves Domingos Junior, de 20; Cleiton Corrêa de Souza, de 18, e Carlos Eduardo da Silva Souza, de 16, foram fuzilados dentro do carro quando saíam da comunidade para fazer um lanche por volta de 1h na Estrada João Paulo. O Pálio era de Wilton.

Parentes e amigos acusam quatro PMs do 41º BPM (Irajá) pelas mortes. Eles foram presos em flagrante e vão responder por homicídio e fraude processual - quando há alteração da cena do crime. Os policiais acusados registraram o caso como auto de resistência, quando há morte em confronto com a polícia. A Polícia Militar abriu inquérito para apurar as circunstâncias do fato.

Cinco jovens foram fuziladosReprodução / Facebook

“Foi uma execução. Mataram o meu filho e todos os colegas que estavam com ele. Eu fui ao Parque Madureira com os meninos e passei pelo local dez minutos antes, e pouco depois os policiais fazem uma desgraça dessa”, disse, chorando muito, Jorge Roberto Lima da Penha, pai de Roberto.

Parentes e amigos das vítimas afirmam que elas eram inocentes. Segundo testemunhas, os PMs confundiram os rapazes com bandidos que estariam fazendo escolta de um caminhão com carga de bebidas, roubado na Avenida Brasil e que estava sendo levado para a comunidade. O carro ficou com mais de 20 perfurações.

Vídeo que circula na Internet mostra uma arma próxima ao carro onde jovens foram fuziladosReprodução

Segundo Roberto, o filho dele trabalhava no departamento pessoal de um supermercado em Guadalupe e também estudava. “Quando os bombeiros tiraram os corpos do local, eu peguei o telefone e a identidade do bolso do meu filho. O aparelho estava zerado, novinho. Meu filho estava muito feliz com o primeiro emprego de carteira assinada. Ele tinha acabado de receber o primeiro salário. Meu filho também fazia curso de administração”, contou o pai.

De acordo com testemunhas, os PMs ainda plantaram armas no local do crime. A perícia encontrou uma pistola de brinquedo e um revólver calibre 38 com duas cápsulas deflagradas. Em um vídeo que circula na internet, uma arma aparece caída perto de uma das rodas do carro fuzilado.

Moradores da Lagartixa ainda acusam os policiais de impedir o socorro às vítimas. “Quando cheguei, dois meninos ainda estavam agonizando e o PMs não me deixaram socorrer. A mãe de um deles também chegou desesperada e um policial disse que a matava se ela mexesse no carro”, contou a tia de Wesley e Wilton, Erika Esteves Domingos.

Segundo a Polícia Civil, Cleiton já respondeu por furto e Wesley, por tráfico. Familiares e moradores da Lagartixa estão programando uma manifestação para esta segunda-feira, na Avenida Brasil, perto da comunidade.

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