Após ônibus, táxis têm reajuste

Meta de coletivos refrigerados não é cumprida, mas ar-condicionado volta a pesar na passagem

Por O Dia

Rio - Além do aumento da passagem dos ônibus municipais, que passa a custar R$ 3,80, a partir deste sábado, quem optar por pegar táxi também terá de gastar mais. Os taxistas, no entanto, só podem podem cobrar as tarifas com o reajuste de 10,5% quando receberem as novas tabelas, que começa a ser entregue nesta segunda.

A bandeirada do táxi convencional passará de R$ 5,20 para R$ 5,40 e cada quilômetro rodado custará R$ 2,30, na bandeira 1, e R$ 2,76, na bandeira 2 (aplicada de segunda-feira a sábado, das 21h às 6h, e, aos domingos e feriados, o dia inteiro). A hora parada aumentou para R$ 28,98. Neste ano, as tabelas dos novos preços têm validade só até 26 de fevereiro, prazo para atualização dos taxímetros. Além disso, os avisos terão um QR Code para que passageiros verifiquem os preços das corridas maiores que R$ 31,95. A alta dos táxis se baseou na inflação medida pelo IPCA, de 10,48%, acumulada em 12 meses.

Para Fábio Santos%2C se a justificativa para aumento anterior era obrigação de colocar mais ônibus com ar-condicionado%2C não deveria haver nova altaEstefan Radovicz / Agência O Dia

O reajuste das passagens de ônibus, de 11,7%, foi detalhado no Diário Oficial do município no último dia do ano. No comunicado, a prefeitura informa que há uma cobrança extra de R$ 0,039 para a colocação de mais ônibus com ar-condicionado. No reajuste de janeiro de 2015, já houve um acréscimo de R$ 0,058 para o aumento da frota refrigerada, que não foi integralmente cumprido pelas empresas. A exigência era de que que fossem comprados 2.223 ônibus com ar, mas ficaram faltando 680, segundo a Secretaria Municipal de Transportes. Para compensar, a secretaria informou que foram descontados R$ 0,015 do preço final por causa do atraso na compra dos veículos refrigerados.

Apesar disso, o órgão informa que a meta de ter 50% das viagens em coletivos refrigerados foi superada, com 57%. A promessa do prefeito Eduardo Paes de ter 100% da frota com ar-condicionado até 2016 também não será cumprida. A meta anunciada agora pela secretaria é de ter 70% das viagens deste ano em ônibus refrigerados.

“Se a justificativa para um aumento maior da passagem era justamente a obrigação de colocar o ar-condicionado, que pouco colocam, por que aumentar de novo?”, questionou Fábio Santos, de 27 anos, ao embarcar no 456 (Siqueira Campos - Norte Shopping), sem refrigeração.

O vendedor Paulo Cabral, de 33, também criticou. “Muito raro ter ar-condicionado. Pagar mais por isso é o cúmulo”, classificou. A babá Elimar Rodrigues, de 33 anos, também reclamou do reajuste dos coletivos. “Está pesado, ainda mais para andar em ônibus quente, pois é raro achar os que não são. Não podiam descontar a economia que fizeram ao encurtar as linhas. Isso é dinheiro que entrou para eles”, comentou.

Defasagem em diesel e salário

Além da fórmula do reajuste anual das tarifas de ônibus (que daria um valor de R$ 3,70) e do acréscimo para o ar-condicionado, a prefeitura considerou uma revisão parcial dos contratos. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a revisão, prevista a cada quatro anos, foi feita devido à “defasagem comprovada” em relação a dois custos das empresas de ônibus: o óleo diesel e os dissídios dos rodoviários. Isso contribuiu para um aumento maior na passagem.

José Eugênio Leal, especialista em Planejamento e Operação de Sistemas de Transportes da PUC-Rio, diz que a reorganização das linhas e a inserção do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) podem requerer adaptação do cálculo que determina o valor do reajuste anual a partir deste ano. “Se há mudança da produtividade das empresas, é preciso sim rever o cálculo.”

Paulo Cezar Ribeiro, professor do Programa de Engenharia de Transportes da UFRJ, se disse decepcionado com o adiamento da universalização da refrigeração da frota. “Isso era muito importante para a cidade.”

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