Crise provoca migração de 48 mil alunos da rede particular para a pública

Estudantes trocaram colégios privados pelas redes estadual e municipal. Crise econômica é principal motivo

Por O Dia

Rio - Dados das secretarias municipal e estadual de Educação do Rio revelam que um contingente de 48 mil alunos migrou da rede particular de ensino para a pública. Na rede estadual, das 220.497 novas matrículas, 26.459 são de estudantes que vieram de escolas particulares, cerca de 12%. O percentual supera, em muito, o verificado nos dois anos anteriores, que foram de 4% e 8%. Já na municipal, o número é de 21.675 alunos, entre as 91.844 novas matrículas.

Tanto o secretário estadual, Antonio Neto, quanto a secretária municipal de Educação, Helena Bomeny, admitem que a crise pesou na decisão das famílias. Mas,eles enxergam aspectos positivos nessas transferências. “A gente fica contente. Isso mostra que os pais acreditam na escola pública”, destacou a professora Helena. “Isso é bom para a rede porque os pais dos novos alunos devem participar mais do dia-a-dia da escola, cobrando melhorias”, analisou o professor Neto.

Flávia Moura tirou os filhos da escola privada%3A “quanto mais a classe média voltar%2C melhor para a rede pública”Reprodução

Ambos afirmam que para os novos alunos a oportunidade de conviver com jovens de perfil econômico diferente vai ser uma experiência rica. Eles garantiram que as escolas públicas estão preparadas para acolher os novos estudantes.

Mãe de três crianças que migraram para a escola pública, Flávia Moura, afirma que nem cabe comparação na qualidade do ensino, “a particular é muito melhor”, mas o grande diferencial é a postura dos pais. “Quanto mais a classe média voltar, melhor será para a escola pública. Percebi que muitos pais não tem a cultura de cobrar melhorias”, garantiu.

Especialistas consultados pelo O Dia não demonstraram tanto otimismo. “Infelizmente, essa migração não se dá pela qualidade do ensino público”, afirma o coordenador da Confederação Nacional das Associações de Pais e Alunos (Confenapa), Luis Claudio Megiorin. Para ele, isso é resultado dos constantes aumentos, sempre acima dos níveis da inflação, perpetrados pelos empresários das escolas privadas que visam o lucro e não a qualidade do ensino.

O professor Elimar do Nascimento, da Universidade de Brasília, diz que o fenômeno “parece significar que a crise econômica chegou forte na mesa dos trabalhadores. Estamos em vias de perder a ascensão social observada no governo Lula.”

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