Informe do Dia: 'Em Ipanema, ação não seria daquele jeito'

Sociólogo Paulo Baía comenta perseguição ao traficante Matemático, que gerou discussões acaloradas na Internet

Por O Dia

As imagens da perseguição ao traficante Matemático geraram muita briga em redes sociais da Internet. Apesar do risco que a operação representou para moradores inocentes da Favela da Coreia, muita gente defendeu os policiais e atacou quem os criticou. Para o sociólogo Paulo Baía, professor da UFRJ, o desejo de vingança é que explica tanta agressividade nas discussões.

— Por que defensores daquela operação agem de forma tão agressiva contra quem a condena?

Eles acham que quem deseja uma ação dentro da legalidade é parte do problema. Daí chamarem quem não concorda com aquele tipo de abordagem de ‘defensor de bandido’, o que não faz o menor sentido. Situações como essa me fazem pensar no crescimento de um pensamento fascista em nossa sociedade. É triste admitir, mas acredito que a maioria da população aprova ações como a que ocorreu na Coreia.

— O que explica isso?

Boa parte da população é movida por um forte desejo de vingança contra bandidos. Por conta dele, fatores como o risco para inocentes e também a legalidade da operação são colocados em segundo plano. Os policiais não poderiam nem mesmo estar usando aquela metralhadora.

— O local da operação influenciou a ação?

Claro. Os policiais sabem que jamais poderiam agir daquele jeito em Ipanema ou no Leblon. Têm o entendimento de que atirar com uma metralhadora numa favela da Zona Oeste pode não gerar consequências.

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