Um Pouco de História: Memória do Bairro: Vila União II

Local muito atrasado, onde predominavam as chácaras e se produzia cereais e frutas.

Por O Dia

O antigo bairro Portugal Pequeno - Vila União deu lugar ao atual Parque São Nicolau e está localizado à sudoeste do município de São João de Meriti. Faz divisa com o bairro de São Matheus, com o Rio Pavuna (Rio de Janeiro), Via Light, Avenida Tancredo Neves até a Rua Antônio Hermont. Suas vias principais dentro do bairro são as ruas Álvaro Proença, General Olímpio da Fonseca, Marieta, Francisco Torquilho, Antônio Martins de Oliveira, Tacques Bittencourt, Ana Lima, Ana Alves da Costa e outras diversas travessas.

Quem nos conta o crescimento e as lutas do bairro são antigos moradores ali estabelecidos. Dona Elza de Abreu, aos 72 anos, é uma mulher negra, muito ativa, falante e crítica em relação aos políticos. Nasceu na Vila União e é moradora da Rua Taques Bittencourt. Viúva e aposentada, seu marido era bombeiro hidráulico e trabalhava no Centro do Rio. Ela era fiandeira e costureira. Sua mãe era lavadeira e trabalhou para a família Sendas, da qual traz boas recordações de seus filhos Artur, Maria e do Sr. Manoel Sendas. Conheceu o Artur Sendas quando ele ia jogar bola no campo do União F.C.

Registro do time do União F.C. na década de 1940Divulgação

Quando nasceu em 1930, a luz era de querosene com lamparina e lampião e a água era de poço. Contou que o o sargento bombeiro José Rosa era quem furava o poço para os vizinhos. Naquela época não havia condução para outro lugar. São Matheus era o bairro mais próximo e com maior desenvolvimento, devido a estrada de ferro com sua estação. Tinha um bom comércio com lojas onde se poderia comprar o que faltava. Para comprar outros produtos apanhava o trem, chamado de ‘Maria Fumaça’ e chegava ao Centro de São João.

Dona Elza recordou que era um local muito atrasado. Predominavam as chácaras onde eram produzidos muitos cereais e frutas. Ela citou o arroz, feijão guandu e de cor, milho, batata doce, tomate e verduras diversas, mamão, laranjas de muitas qualidades. Esses produtos eram vendidos pelos donos das chácaras nas feiras de São Matheus, São João e Pavuna. Havia também muito bambuzal, que era usado para fazer cerca.

Ela não tinha geladeira, o fogão era a lenha e quando queria beber água fresca, enchia uma garrafa com o líquido e amarrava em uma corda e colocava no fundo do poço, deixando de um dia para o outro. A luz chegou só nos anos 1950 com postes de madeira. Nestes, havia uma cabine de onde se puxava a luz para as casas mais próximas. Quando chovia era muito difícil chegar até São Matheus e São João, tudo era lama. Normalmente ia descalça e levava um sapato na bolsa e lavava os pés na estação e calçava o sapato.

No início década de 1960, recordou as grandes confusões que presenciou quando houve o quebra-quebra. Ela disse que foram terríveis, com pessoas invadindo as lojas comerciais e apanhando tudo o que viam. O Sr Manoel Sendas tinha um depósito na Rua Júlio de Abreu em São Mateus e levaram tudo de sua loja.

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