Wilson Diniz: O Estado necessário

Espera-se que Meirelles tenha autonomia para reduzir o ‘Estado gerador de déficit’, colocando em prática plano ambicioso de fechamento de estatais e de abertura de capital ao setor privado

Por O Dia

Rio - O governo FHC fez reformas na economia num momento de profunda crise internacional. Estabeleceu metas fiscais, buscou o superávit primário e o fixou o teto da taxa de inflação. Mas não conseguiu reduzir a miríade de estatais, que provocam rombo fiscal e, em nome do ‘social’, servem como cabide de emprego dos políticos que loteiam o poder no Congresso.

Nos anos 80, o país tinha 220 estatais. No governo de FHC, mesmo sofrendo os efeitos de quatro crises da economia mundial, conseguiu privatizar 45 empresas do setor elétrico, a Vale e a telefonia — uma linha na Barra da Tijuca custava R$ 7 mil.

FHC governando em época de turbulência conseguiu crescer o PIB com taxa média de 2,5% superando a do governo Dilma que foi de 2,2% — e a afastada elevou o rombo fiscal e colocou no mercado 12 milhões de desempregados, números piores que os do governo Collor, que também quebrou o país.

A grande diferença do governo Dilma é que ela não colocou a economia em recessão, mas em ‘depressão econômica’. Para alguns economistas, “recessão econômica” é quando os seus dois vizinhos e seu filho estão desempregados, e só você está empregado em uma empresa pública. Como resultado, um trabalhador em cada quatro está desempregado. Tais ciclos geralmente duram até 10 anos.

A Dilma inflou o Estado, elevando o rombo fiscal, para cobrir o déficit gerado pelo loteamento da máquina pela militância do PT e pelas oligarquias da base aliada.  O melhor exemplo é do rombo dos fundos de pensão dirigidos pelos sindicalistas do PT. Na EBC, o rombo já consumiu R$ 2,6 bi do Tesouro, e o número de funcionários passou de 1.462 para 2.560, e o custo de produção saltou de R$ 61 milhões para R$ 363,5 milhões.

Espera-se que Meirelles tenha autonomia para reduzir o ‘Estado gerador de déficit’, colocando em prática plano ambicioso de fechamento de estatais e de abertura de capital ao setor privado, inclusive quebrando o tabu de estabelecer o ensino universitário público pago para os ‘riquinhos’ que estudaram no São Bento e no Santo Agostinho.

Com o sistema político comandado pelas elites e pela esquerda dos bares do Rio, que defendem a expansão das estatais em nome do social, é duvidoso que Meirelles consiga tal façanha.

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