Sérgio Duarte: Sim à interiorização do estado

Enquanto outros países e até mesmo estados brasileiros adotam iniciativas para atrair empresas, emprego e renda, o Rio vai na direção contrária

Por O Dia

Rio - É inegável que o desenvolvimento socioeconômico do interior do Estado do Rio deu um salto na última década. Ainda é preciso avançar muito, mas o Rio passou por um forte processo de interiorização com uma série de investimentos. Entre 2008 e 2014, mais de 230 indústrias se instalaram em 51 cidades, gerando 100 mil empregos.

Quem mora em regiões como Itatiaia, Porto Real e Resende, onde se concentra o polo automotivo, que empregou mais de 16 mil pessoas, sentiu na pele essa mudança. O mesmo aconteceu em São Gonçalo, Angra e Niterói, onde o complexo naval foi um dos principais motores para a criação de 68 mil postos de trabalho. Ou em São João da Barra, que abriu 5 mil vagas motivadas principalmente pelo Porto do Açu.

A chegada de novas empresas ampliou de forma significativa a receita desses municípios. Queimados, por exemplo, com uma zona industrial diversificada e uma cadeia de fornecedores, comércio e serviços, passou a arrecadar mais de 127 milhões de ICMS. Três Rios, com conjuntura semelhante, R$ 114 milhões.

É incompreensível que toda essa política de interiorização tenha sido colocada em risco não só pela crise, mas também por uma equivocada mudança na política de incentivos fiscais. Liminar proibiu o governo do estado de conceder, ampliar ou renovar benefícios fiscais. Outra lei suspende por dois anos a concessão e a renovação de incentivos.

Como pano de fundo, o MP tem apurado casos graves de irregularidades que envolvem incentivos fiscais, mas as empresas idôneas continuam sendo a maioria. Temos que punir os responsáveis por desvios, construir em conjunto mecanismos que tornem os processos de concessão de incentivos mais transparentes, mas não penalizar toda uma política que, como vimos, trouxe benefícios socioeconômicos para todo o interior do estado.

A crise já provocou o fechamento de 11 mil empresas e a demissão de 186 mil funcionários no estado (só em 2016!). Em pesquisa recente feita com 200 indústrias, a Firjan identificou que, diante da possível suspensão de incentivos, 89,6% preveem demissões e 52,6% encerrarão as atividades. Enquanto outros países e até mesmo estados brasileiros adotam iniciativas para atrair empresas, emprego e renda, o Rio vai na direção contrária.

Sérgio Duarte é vice-presidente da Firjan

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