Família leva almoço a paciente internada no Hospital Getúlio Vargas

Parentes alegam que medida é uma alternativa para falta da comida em alguns dias e péssima qualidade. Enfermarias têm todos os leitos vazios por falta de profissionais de saúde

Por O Dia

Internada há cinco meses%2C Marilene come ‘quentinha’ levada pela filhaDivulgação

Rio - Quase todos os dias, a família da aposentada Marilene de Almeida de Araújo, de 67 anos, internada há cinco meses no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, é obrigada a levar de casa o almoço da paciente. Os familiares alegam que a medida é uma alternativa para a falta da comida em alguns dias e a péssima qualidade servida na unidade. Pacientes ainda denunciam que, faltam fraldas descartáveis, medicamentos, enfermeiros e médicos. Ontem, funcionários fizeram uma manifestação por falta de pagamento dos salários.

“Ficamos dois dias sem tomar banho, não tem roupa de cama, não tem cirurgias, materiais anestésicos. Quero ir para casa, pois lá tenho comida, pelo menos. Isso aqui não é comida. Na quarta-feira, a sopa foi para o lixo. Não dá para comer”, reclamou Marilene, que se recupera após fraturar o fêmur.

Verônica das Neves, 53 anos, também se queixa. Há cinco meses internada, ela denuncia a falta de enfermeiros. “Na mesa de cirurgia caí e quebrei o joelho. Isso dentro do hospital. Para piorar, temos que encarar essa sopa, que não passa de uma água amarela. Trocar a fralda diariamente não acontece sempre”, reclamou.

Segundo Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, a situação do Getúlio Vargas é de calamidade. “O quadro é de violação da dignidade da pessoa humana. A sopa servida parece um lavado de porco”, lamentou.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que novo repasse para a OS responsável pela gestão do hospital foi feito na quarta-feira. “A OS recebeu, neste mês, repasse de R$ 10,5 milhões. A direção do hospital informou que as refeições de pacientes e funcionários estão sendo entregues por fornecedor externo e servidas a pacientes, acompanhantes e colaboradores”.

Ainda segundo a nota, a Secretaria informou que “vem orientando as OSs que priorizem o pagamento de seus funcionários e a assistência aos pacientes”. E citou ainda a crise econômica do estado: “Desde o início do ano, a SES vem trabalhando com apenas cerca de 30% do orçamento estadual previsto para a pasta”, diz um trecho da nota oficial.

Para a nutricionista Fabiana Barberino, especialista em planejamento de cardápio, trazer comida de casa pode agravar a saúde do paciente. “É um risco. Deve-se evitar, pois pode ter excesso de sal”, lembrou.

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