Após ataque a ônibus, linha deixa de passar em ruas de bairro da Zona Norte

Incêndio em veículo da linha 679 (Grotão-Méier) fez empresa cortar itinerário e diminuir número de pontos em Maria da Graça

Por O Dia

Placa do ponto permanece em frente a Igreja Nossa Senhora das Graças, mas nenhum ônibus passa por lá.Reprodução/Internet

Rio - Parte dos moradores dos bairros de Maria da Graça e Del Castilho, na Zona Norte carioca, deixou de ser atendida pelo transporte público de uma hora para outra. Desde o dia 11 de agosto, quando um veículo da linha 679 (Méier-Grotão) foi incendiado na região da comunidade de Bandeira 2, a Viação Nossa Senhora de Lourdes cortou algumas ruas do itinerário sem comunicação prévia à população. Se por um lado encurtou a distância entre os pontos finais, por outro deixou sem ônibus uma área que já havia perdido, há alguns semanas, outras duas linhas (661 e 662), também da mesma empresa.

O transtorno é pior para quem necessita do transporte à noite. A estudante de pedagodia Juliana Oliveira, de 22 anos, reclama que agora tem que passar por lugares desertos, o que aumenta a sensação de insegurança.'Saio da faculdade às 22h e isso me deixa apreensiva sempre! Normalmente, as ruas estão desertas, o risco de sofrer algum assalto ou violência sexual é muito maior', afirma.

A vendedora Bruna Soares, de 26 anos, relata que os moradores mais mais velhos estão sendo prejudicados por ter que completar parte do trajeto à pé. 'Tenho muitos idosos no meu prédio e todos eles estão reclamando', revolta-se. Um dos pontos onde o ônibus não passa mais está localizado em frente a Igreja Nossa Senhora das Graças, principal ponto de referência do bairro e local que recebe muitos idosos.

A empresa alega que deixou de circular em parte do bairro por insegurança. Em nota, a Viação Nossa Senhora de Lourdes elenca notícias sobre o caso do ônibus queimado e ressalta que a linha 679 continua passando por Maria da Graça, deixando apenas de passar por uma rua, que tinha apenas um ponto. Segundo moradores, entretanto, são na verdade cinco pontos de parada que foram retirados do itinerário. A assessoria da viação ainda afirma que irá emitir nota sobre o retorno ou não do itinerário original, que ainda consta no site da empresa.

No site da empresa%2C ainda consta o itinerário original da linha. Em destaque%2C as ruas que deixaram de ser atendidasReprodução/Internet

Na página do Facebook do bairro, moradores se mobilizam para promover um abaixo-assinado não somente pedindo a volta do itinerário normal do 679 como exigindo o retorno das linhas 661 e 662, que circulava entre o bairro e os vizinhos Méier, Cachambi, Maria da e Del Castilho. As vans do transporte alternativo regularizado permanecem passando nos mesmos pontos, mas não conseguem atender a demanda, de acordo com usuários.

Reportagem do estagiário Caio Bellandi

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