Zumbi é celebrado no Centro

Apresentações de capoeira, maracatu e do grupo Lemi Ayò fizeram parte da programação cultural, organizada por Mestre Kotoquinho

Por O Dia

Líder negro foi festejado no CentroSeverino Silva

Rio - Resistir foi a palavra de ordem para os movimentos negros que se reuniram em frente ao monumento a Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas, na Cidade Nova, neste domingo. Segundo os organizadores do evento em homenagem ao Dia da Consciência Negra, que ocorre há 35 anos, o apoio da Prefeitura foi quase nulo - o encontro não teve banheiros químicos e nem energia elétrica para o carro de som.

“Cantamos no grito, na raça mesmo. Som não tinha, mas não vamos desistir”, disse a vendedora Sandra Porfirio da Silva, de 45 anos, integrante do grupo Filhos de Gandhy, que iniciou as festividades no local.

Por volta das 5h30, o afoxé chamou a alvorada com as Filhas de Gandhy, versão feminina do grupo. Apresentações de capoeira, maracatu e do grupo Lemi Ayò também fizeram parte da programação cultural do domingo, organizada por Mestre Kotoquinho, de 57 anos. Segundo ele, apesar do número reduzido de atrações em relação a outros anos, a festa não tinha hora para acabar. “Isso é resistência”, resumiu ele.

Apesar da falta de verba, uma tradição que não podia faltar é o cortejo da Tia Ciata, que celebra a história da cozinheira e mãe de santo fundamental para a consolidação do samba e do carnaval no Rio. Ela morava ali perto da Praça Onze, que chegou a ser conhecida como ‘Pequena África’.

“Se estamos aqui, temos que agradecer a ela. Queremos deixar um legado, pois ninguém conta a história do pobre. Não quero mais ouvir história dos reis e das princesas”, contou a Ekedi Maria Moura, advogada e socióloga de 83 anos, que organiza o Carnaval do Povo.

Maria participou do movimento para trazer a ‘cabeça’ de Zumbi para a região. O monumento em homenagem ao mártir do Quilombo de Palmares foi inaugurado em 1986, no governo de Leonel Brizola, por iniciativa do vice-governador e secretário de Cultura, o antropólogo Darcy Ribeiro.

Para quem participa do Dia da Consciência Negra há menos tempo, como o autônomo Ozeias Santos, de 22 anos, é triste ver a festa menos colorida. “Deveria ter mais. É o único dia do ano em que podemos expressar nossa representatividade. O pessoal da ‘consciência humana’ não entende que durante o ano inteiro não temos isso. Esse é o dia de celebrarmos nossa beleza, nossa história”, opinou.

Reportagem da estagiária Alessandra Monnerat

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