Morte por vírus H1N1 acende alerta

Registro foi em Barra do Piraí. Somente no ano passado, 1,9 mil pessoas morreram da doença no país

Por O Dia

Rio - Foi confirmada ontem pela Prefeitura de Valença, no Sul Fluminense, a morte de Gabriel Martins de Oliveira, de 17 anos, pelo vírus da gripe Influenza do tipo B. Segundo o município, o paciente chegou ao Hospital Escola no dia 17, transferido da Santa Casa de Barra do Piraí, município onde morava e esteve internado desde o dia 12.

Ao chegar, foi coletado sangue para sorologia, mas Gabriel não resistiu e morreu no mesmo dia. Já a Prefeitura de Barra do Piraí disse, em nota, que realizou exames de sangue no paciente e o mesmo vírus foi identificado, no entanto, não deixa claro o motivo da transferência do paciente.

Os seis animais mortos em Laje do Murié pertencem à espécie barbudoDivulgação

No Rio, de acordo com a Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, entre janeiro e março de 2016, foram confirmados três casos de síndrome respiratória aguda grave por vírus Influenza A H1N1.

Este ano, no mesmo período, foram confirmados dois casos, mas a secretaria não apontou a localidade e não informou os casos envolvendo o tipo B da doença.

O vice-prefeito e consultor de Saúde de Barra do Piraí, João Camerano, pede cautela às pessoas e garante que não há um surto da gripe na região. “Um caso registrado de determinada doença é completamente diferente de um surto”, frisou.

Anualmente o Ministério da Saúde promove a campanha de vacinação contra a gripe Influenza entre abril e maio. Este ano, a ação começa no dia 10 de abril para funcionários da saúde e no dia 17 para toda a população.

A gerente médica de vacinas da GSK Brasil, Barbara Furtado, explica que o vírus da gripe está presente no ar ao longo de todo o ano, mas é durante as estações mais frias que aumenta o número de casos. “No inverno passamos mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a contaminação através de espirros, por exemplo”, conta Barbara.

A gripe (influenza) é uma infecção viral respiratória aguda e altamente contagiosa, sendo mais grave do que um resfriado comum, conta Barbara. Ela é causada, principalmente, por quatro cepas (variações) do vírus Influenza: o A H1N1, A H3N2, B Victoria e B Yamagata.8.

A especialista ressalta que não há risco para a população que se vacinar contra a gripe (influenza) e contra a febre amarela ao mesmo tempo. “Todas as vacinas contra a H1N1 hoje são compostas por vírus morto, ou seja, ele não causa a doença. Já a de febre amarela é feita com o vírus vivo, e tomar essas vacinas juntas não altera os resultados da vacinação. Isso vale tanto para as que são oferecida na rede pública quanto para as da rede particular”, explica a médica.

Seis macacos mortos no Noroeste

A Fiocruz vai analisar exames de seis macacos da espécie barbudo, encontrados mortos em Laje do Muriaé, no Noroeste Fluminense, na segunda-feira. Segundo o secretário de Saúde do município, Rodolfo Almeida, os primatas estavam em área de mata fechada, em uma propriedade particular a 2 km da cidade.

Pelo menos 70 macacos já foram mortos em diversas regiões do estado desde outubro do ano passado. Em quatro deles foi constatada a febre amarela como causa da morte - dois em Campos dos Goytacazes e dois em São Sebastião do Alto. Os primatas não são transmissores da doença, mas atuam como “marcadores”, indicando áreas onde o vírus é circulante.

Seis macacos foram encontrados mortos em Laje do MuriaéSecretaria de Saúde de Laje do Muriaé

“As primeiras análises não apontam ferimentos e nem marcas de tiros nos macacos, mas ainda não sabemos o que causou a morte deles”, contou Almeida. O secretário acredita que o número de macacos mortos possa ser maior porque, no local, foram encontradas ossadas de primatas. Ele já solicitou antecipação da entrega de novas doses da vacina contra a febre amarela para o município e vacinar 100% da população. Hoje, 80% dos moradores já estão vacinados.

Boletim deixa dúvidas

A Secretaria estadual de Saúde passou a divulgar ontem um informe epidemiológico da febre amarela, que será atualizado diariamente. Os dados, no entanto, não esclarecem quantas mortes de macacos por causa da doença já foram confirmadas até o momento no estado, limitando-se a informar as localidades dos registros (Campos e São Sebastião do Alto).

O boletim também não informa sobre as notificações de casos suspeitos (em humanos e macacos) já realizadas no estado. Questionada, a SES respondeu que “todos os casos notificados à SES pelas prefeituras que se enquadram nos critérios de definição de caso suspeito em humanos determinada pelo Ministério da Saúde são informados ao governo federal para inclusão no informe epidemiológico nacional”.

Últimas de Rio De Janeiro