Trilha do Parque Lage ao Corcovado está há mais de um mês sem ocorrências

Local teve onda de roubos em julho. Visitantes ainda evitam a região

Por O Dia

Rio - Seguranças do Parque Lage registraram ontem, o marco de 35 dias seguidos sem assaltos na trilha de quase 3 km até o Cristo Redentor. A 'calmaria' do caminho, no entanto, que em julho recebeu placas de alerta sobre roubos e quase foi interditado por conta da violência, ainda não é suficiente para recuperar a confiança dos frequentadores. Desde os episódios de furto, o movimento na trilha tem diminuído e atualmente registra queda de 80% dos visitantes.

"Antes (dos casos de violência), subiam umas 50 pessoas por dia. Agora, só em feriado e finais de semana, mesmo assim, não chega nem a 10", apontou um dos seguranças do parque, que não quis se identificar. De janeiro a julho, na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), 150 turistas fizeram registros de assaltado na trilha. Há cerca de três meses, as ocorrências caíram e o patrulhamento aumentou, de acordo com os funcionários.

Percurso até o Corcovado tem quase 3 km edura em média duas horasEstefan Radovicz / Agência O Dia

"Com frequência tem dois batalhões de polícia se alternando e fazendo ronda. Não são fixos, mas geralmente ficam no entorno. Policiais do Bope também costumam subir a pé e à paisana para dar uma geral", declarou um vigia, que também preferiu manter sigilo.

Na opinião dos funcionários, a violência na Rocinha também tem relação com o movimento fraco de visitantes. "Tem gente que se diz receosa por conta da situação na comunidade. Tem gente que tem medo de assalto mesmo. Nos perguntam se está seguro. Por mais que haja esforço por aqui, não podemos dar garantia", contou um segurança da unidade.

O DIA esteve no local ontem, no sábado e na sexta-feira e constatou grande movimentação apenas dentro do Parque Lage, com visitantes fazendo reuniões e piqueniques. Na trilha, haviam poucos frequentadores. A fotógrafa Ingrid Reis, 25, já fez o caminho algumas vezes, mas atualmente, prefere prudência à aventura. "Venho há quatro anos. Já me senti segura, hoje não me sinto tanto. Nunca fui assaltada, mas já ouvi muitos relatos. Tem um amigo meu fotógrafo que já teve todo equipamento roubado aqui".

Percurso até o Corcovado tem quase 3 km edura em média duas horasEstefan Radovicz / Agência O Dia

O servidor público, Anderson Reis, 26, fez a trilha no sábado e confirmou o aumento no patrulhamento. "Vi seguranças no parque e no caminho. Me sinto mais seguro aqui do que lá fora".

Mesmo com a ausência de registros de assaltos, empresas especializadas em trilhas no Rio, se recusam a fazer a caminhada do parque ao Corcovado. Um exemplo é a Nattrip que vem desaconselhado turistas e cariocas a usarem a trilha. "Ainda não levamos as pessoas. O motivo é que não houve nenhuma ação que coibisse a prática de assaltos. Por isso, quando nos procuram, sugerimos outras trilhas mais seguras e movimentadas para o passeio", declarou Vinícius de Souza, diretor de marketing da empresa.

Juliana Vale desistiu da caminhada após ver os cartazesEstefan Radovicz / Agência O Dia

Placas com alerta para risco de roubo continuam nas árvores

?Implantadas em julho, por um grupo de voluntários, as placas com os dizeres 'Alto risco de roubos' e 'Não arrisque sua vida' continuam na trilha. Mas o aviso não afastou o alemão Frank Grotzinger. "Venho ao Rio desde 1990. Faço muitas trilhas e nunca me senti inseguro", garantiu. O administrador carioca Bruno Muniz concordou. "Já fiz várias, como a do Morro da Urca, por exemplo. Me sinto tranquilo aqui. Agora costuma ter policiamento e o parque tem seguranças".

Mas teve gente com receio de encarar o percurso no sábado, como a mineira Juliana Vale, 43, que mora no Rio há dois anos. "Cheguei na intenção de fazer, mas como vim sozinha desta vez, e vi as placas sobre perigo de assalto, fiquei com medo", declarou Juliana.

Em julho, um turista polonês foi esfaqueado após ser assaltado no meio do percurso. Dias depois, a Deat prendeu uma quadrilha que era incentivada por traficantes do Cerro Corá a realizar roubos na região.

O carioca Bruno Muniz fez a trilha no sábadoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Visitação em parques nacionais deve aumentar em 11,5% neste ano

?O número de visitantes em parques nacionais deve aumentar 11,5% neste ano. A estimativa é do instituto Euromonitor International, organização voltada para análises de mercado. A projeção é que, em 2018, 8,6 milhões de pessoas visitem as unidades de conservação.

Segundo levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelos parques nacionais, o número de visitantes vem crescendo ao logo dos anos. Em 2015, 8 milhões de pessoas frequentaram as unidades. Em 2014, foram 7,3 milhões e, em 2013, 6,4 milhões. O Parque da Tujuca é o mais visitado do Brasil, com registro de 2,9 milhões ao ano.

"Esse crescimento representa a mudança de um país que demonstra que pode ir muito além do turismo de sol e praia e que tem a natureza como sua maior riqueza. Somos o país com maior potencial do mundo em atrativos naturais para o turismo", destacou o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Vinicius Lummertz.

Atualmente, há 72 parques nacionais no Brasil, com 324 unidades de conservação que totalizam cerca de 79 milhões de hectares. Em 2015 a atividade turística nas unidades de conservação federais movimentou mais de R$ 1 bilhão nos municípios próximos e gerou cerca de 43 mil empregos.

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