Parceria entre Apple e IBM rende seus primeiros frutos

As companhias anunciaram pacote de dez aplicações para segmentos como bancos, varejo e companhias aéreas

Por O Dia

São paulo - Há 30 anos, quando a Apple apresentou o primeiro modelo do Macintosh, um dos motes do lançamento foi um comercial intitulado “1984”. Mais que uma alusão ao livro homônimo de George Orwell, a peça apontava a IBM como a “grande irmã” e indicava a companhia de Steve Jobs como a alternativa ao domínio da “Big Blue”. Três décadas depois, essa rivalidade começou definitivamente a cair por terra ontem. As duas empresas mostraram os primeiros frutos de uma parceria anunciada em julho, voltada ao mercado corporativo. Os passos iniciais dessa jornada incluíram o lançamento de dez aplicações empresariais direcionadas aos segmentos de bancos, varejo, serviços financeiros, seguros, telecomunicações, governos e companhias aéreas. As tecnologias incluem recursos analíticos e de big data, desenvolvidos exclusivamente para o iPhone e o iPad.

“A IBM tem um conhecimento muito forte da indústria e do mercado corporativo, enquanto a Apple é reconhecidamente um ícone em termos de design e experiência do usuário. Estamos unindo esses dois mundos. As ofertas são totalmente complementares”, diz Tiago Spritzer, executivo líder de Mobile & Social Business da IBM para a América Latina.

Uma série de analistas tem apontado outras razões para o acordo. Pelo lado da Apple, a estratégia seria uma tentativa de abrir novas frentes para compensar as quedas consecutivas nas vendas do iPad no mercado consumidor. Nessa guinada, fontes próximas à empresa afirmam que a companhia planeja lançar um tablet específico para o uso corporativo, com tela de 12 polegadas. Da parte da IBM, o acordo também é uma alternativa para acelerar a transição de ofertas mais focadas no “back office” para um portfólio de inovações em campos como mobilidade, computação em nuvem, aplicações sociais e big data. Com um legado significativo em áreas mais tradicionais, o desempenho da IBM tem sido afetado nessa trilha.

À parte desse contexto, Spritzer diz que, hoje, os dispositivos móveis já estão completamente inseridos na vida do consumidor e resolvem diversos problemas cotidianos, enquanto esse mesmo cenário ainda tem desafios para ser replicado no ambiente das empresas, e especialmente, no relacionamento das companhias com seus clientes. “O tipo de aplicação que estamos lançando é voltada primeiramente aos funcionários dessas empresas, mas elas trazem reflexos diretos na interação com os clientes finais. A ideia é aprimorar a experiência desse consumidor”. A parceria prevê o desenvolvimento de mais de 150 aplicações corporativas.

Sob essa visão, uma das aplicações é voltada às companhias aéreas, para a oferta de serviços personalizados aos passageiros. Num dos exemplos citados por Spritzer, os comissários de bordo conseguem identificar que um viajante específico — com um bom nível de relacionamento com a companhia — vai perder sua conexão, seja por um atraso do voo em questão ou por um problema em seu primeiro destino. Munido de um iPad, o funcionário pode abordar o passageiro e oferecer outras alternativas de voo, a partir das sugestões do aplicativo embarcado no tablet. Ao mesmo tempo, o dispositivo permite mostrar um mapa de assentos das outras aeronaves e oferecer um upgrade, além de emitir o bilhete.

“A parceria é muito significativa, pois foi a primeira vez que a Apple abriu seus laboratórios para outra empresa”, diz o executivo. Durante esse processo de ajustes para o desenvolvimento conjunto de aplicações, uma equipe brasileira da IBM teve acesso às instalações da Apple em Cupertino e em Toronto. A equipe em questão foi treinada e recebeu a certificação de design da parceira.

As aplicações já estão disponíveis no mercado brasileiro e os esforços de venda estão sob a responsabilidade da equipe da IBM. Dois clientes da base da empresa já estão em fase de implementação de parte dessas soluções, sendo um deles do segmento bancário. Segundo o executivo, o varejo e as operadoras de telecomunicações são os segmentos de maior potencial para as ofertas da parceria em curto e médio prazos no mercado local.

O Brasil é um retrato de todas as etapas da parceria, que não está restrita às aplicações. Em uma das frentes, a IBM responde pelas vendas dos dispositivos da Apple ao mercado empresarial. Nessa ponta, um dos recursos usados pela empresa é o Banco IBM, que oferece opções de leasing com pagamento mensal para a aquisição dos equipamentos. Além de cuidar da integração e implementação dessas tecnologias nos ambientes corporativos, a IBM tem também um acordo exclusivo para prestar serviços de assistência técnica aos clientes empresariais com parques de iPhones e iPads.

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