Brasil está mais para 'Walking Dead' do que para 'House of Cards', diz jornal

Para Financial Times, Brasília deixa de parecer uma trama política da série do Netflix para se aproximar à realidade de zumbis

Por O Dia

São Paulo - A realidade política brasileira está deixando de ser protagonizada por políticos ardilosos e segundo o jornal britânico Financial Times começa a ser dominada por zumbis. Em meio à batalha que envolve o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a crescente insatisfação contra todos os políticos, o jornal diz que Brasília deixa de parecer a trama política "House of Cards" e parece cada vez mais com a realidade dos zumbis de "The Walking Dead".

'The Walking Dead' conta a saga de sobreviventes a um apocalipse zumbiDivulgação

"A cena política em Brasília, que muitas vezes é comparada com a série da televisão norte-americana 'House of Cards' por sua complicada intriga política, está começando a parecer com a concorrente dos zumbis 'The Walking Dead'", diz reportagem publicada na versão eletrônica do jornal. A publicação destaca que cresce a insatisfação popular não apenas contra o governo Dilma, mas também contra todos os outros políticos.

"Seja por causa do envolvimento em corrupção ou apenas pelo oportunismo cínico, os principais atores políticos no Brasil estão perdendo rapidamente a legitimidade aos olhos de um eleitorado cansado", diz o FT, que destaca o avanço do movimento que pede novas eleições gerais e dá como exemplo os cartazes com a inscrição "Fora Todos" na Avenida Paulista, em São Paulo, nos últimos dias.

Michael Kelly e Kevin Spacey em cena da quarta temporada de 'House of Cards'Divulgação

O FT argumenta que, além de Dilma ser acusada pelas manobras fiscais, vários outros nomes que estão na linha sucessória têm problemas na Justiça e o PMDB é amplamente acusado de participar do esquema de corrupção na Petrobras. A reportagem lembra da acusação de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mantém contas na Suíça com dinheiro ilegal e que o presidente do Senado, Renan Calheiros, é igualmente envolvido em esquemas ilícitos. Para completar, o vice-presidente Michel Temer também deve ser alvo de processo de impeachment com igual acusação contábil que atinge a presidente Dilma.

"O problema é que, enquanto a ideia de uma limpeza geral seja atrativa, não há uma maneira constitucional clara para convocar novas eleições a não ser que a senhora Rousseff e o senhor Temer sejam impedidos, tenham seus mandatos anulados pelo Tribunal Superior Eleitoral ou renunciem. Com sinais de ambos de que não pretendem sair voluntariamente, é improvável que o impasse seja resolvido rapidamente", diz o FT.


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