Roberto Amaral perde presidência do PSB

Dirigente ficou isolado no partido após defender apoio a Dilma Rousseff e foi substituído por Carlos Siqueira

Por O Dia

Brasília - Em meio a um racha interno, o PSB formalizou ontem a troca na sua presidência. O socialista Roberto Amaral deixou o cargo e seu lugar foi ocupado pelo secretário-geral do partido, Carlos Siqueira, eleito em chapa única pelo Diretório Nacional. O governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara, será o primeiro vice-presidente. O vice de Marina Silva, Beto Albuquerque (RS), será o segundo vice.

A eleição foi em meio à crise desencadeada pela decisão de apoiar a candidatura do presidenciável Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. Roberto Amaral, ex-ministro do governo Lula e aliado histórico do PT, tentou levar o partido para a neutralidade, mas ficou praticamente isolado após a decisão da Executiva Nacional de fechar com o tucano.

No sábado, o ex-dirigente escreveu em seu blog que a decisão da legenda representava um “suicídio político-ideológico”. Segundo Roberto Amaral, “ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores”.

A eleição da nova Executiva foi em Brasília, sem a presença de Amaral e da deputada Luiza Erundina, ex-petista e aliada histórica do PT. Ao assumir, em discurso, Siqueira lembrou o ex-presidenciável Eduardo Campos.
A eleição dele coloca em dúvida a permanência de Marina Silva no partido. Ex-coordenador da campanha de Eduardo Campos, Siqueira rompeu com a candidata quando ela assumiu a cabeça de chapa no PSB.

Com a mudança na direção, parte dos integrantes acredita que a ex-senadora vai voltar a tentar formalizar a criação de sua própria legenda, a Rede Sustentabilidade. Ontem, Siqueira afirmou que conversou com a ex-senadora por telefone e garantiu que não haverá dificuldades se ela quiser permanecer na legenda.

RIO DE JANEIRO

No Rio de Janeiro, ficam fortalecidos os nomes de Rubens Bomtempo, prefeito de Petrópolis, e Romário. Os dois políticos — que são contrários à candidatura da presidenta Dilma — são cotados para assumir a presidência estadual do partido, caso ele sofra uma intervenção da Executiva Nacional. A hipótese começou a ser cogitada quando integrantes da legenda no Rio de Janeiro prometeram se rebelar contra a decisão de apoiar Aécio Neves no segundo turno.

Últimas de _legado_Eleições 2014