Alergias atormentam a vida dos brasileiros

De chocolate ao ar impuro das cidades, problema atinge 30% da população e piora no outono

Por O Dia

Rio - Em alta por causa da Páscoa e Semana Santa, chocolate, peixes e frutos do mar são muito consumidos nesta época do ano. Por esta razão, pessoas alérgicas precisam ter cuidado. Mas nem sempre o chocolate é o vilão. Outras substâncias — como castanhas, amendoim ou trigo —podem causar alergia, que nem sempre é provocada somente por alimentos.

Estudos da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) apontam números alarmantes de pessoas com algum tipo de alergia no Brasil: 30% têm problemas respiratórios, alimentares ou com medicamentos. A Organização Mundial da Alergia (WAO - sigla em inglês) vai mais longe: 40% da população mundial têm alguma alergia. A WAO estima ainda que o número de asmáticos no mundo chegue a 400 milhões de pessoas até 2025. O ar poluído das cidades e as mudanças climáticas contribuem para o problema.

Os gêmeos Lucas e João Paulo sofrem com alergias%3A um deles já teve reação a achocolatados e outro%2C a remédiosarquivo pessoal

Simples cuidados também ajudam a combater a alergia. Lavar roupas e secá-las ao sol e deixar o ambiente arejado são algumas orientações para evitar as alergias respiratórias. Chefe do setor de Alergia e Imunologia do Hospital Pedro Ernesto, Eduardo Costa dá uma importante dica de prevenção. “Estudos sugerem que a ingestão de alimentos ricos em probióticos (iogurte, queijo) pode diminuir o risco de alergias, afirma.

Pediatra, alergista e presidente da Asbai-RJ, Aluce Ouricuri diz que no outono/inverno os casos tendem a piorar. Segundo ela, as mudanças climáticas agravam a situação. Ela dá dicas simples de como se prevenir. “Lavar e secar ao sol roupas guardadas há muito tempo no armário é o ideal para combater ácaros e fungo, principais causadores de alergias. Mas há casos de predisposição genética”, diz Aluce, que é médica há 51 anos.

No Brasil, cerca de 10% da população têm asma e 20% sofrem de rinite, de acordo com a Asbia. Coriza, espirro, coceira nos olhos e na garganta e nariz entupido são sintomas que podem ser confundidos com a gripe. Mas podem estar ligados à rinite. “Alguns sintomas podem sugerir gripe, o ideal é procurar um médico”, diz Aluce.

Já a alergia alimentar pode se manifestar de formas diferentes, sendo a imediata a mais perigosa. Segundo Laerte Boechat, coordenador do Serviço de Alergia e Imunologia da UFF, alergia imediata é uma reação rápida a determinado alimento. “Queda de pressão, urticária e diarreia podem ser sintomas da imediata causada em quem comeu camarão, por exemplo. A forma intermediária pode dar dor no peito e o alimento parar no esôfago”, diz. 

Martírio em dose dupla

Conviver com alergia já é péssimo. Em dose dupla é pior ainda. E é assim que a fisioterapeuta Danielle Ricarte, mãe de Lucas e João Paulo, ambos de 7 anos, vive. Há dois anos ela descobriu que os gêmeos têm alergia respiratória e a medicamentos. E os problemas têm piorado.

A duplinha teve forte reação causada por ingestão de anti-inflamatório e por achocolatado. Num deles, os olhos incharam; no outro, apareceram marcas vermelhas. “Fiquei apavorada quando vi a reação. Há um ano a alergia deles piorou e tive de procurar médico. Meus filhos estão passando por vários exames”, diz Danielle, que redobrou os cuidados com os filhos.

Já o cabeleireiro Fred Silveira, 33, vivia tomando remédio para combater espirro, tosse e coriza constantes. Achava que eram sintomas de uma simples gripe. Até que, em 2014, uma febre de 40 graus e violenta dor de garganta o assustaram durante um passeio de férias, em Florianópolis.

“Aqui não me pareceu normal, fui ao pronto-socorro e descobriram uma faringite alérgica. Procurei um alergista e comecei o tratamento. Desde então, não tive mais crises”, diz Fred, que, semanalmente, desembolsa R$ 200 para se tratar com vacinas antialérgicas.

Reportagem de Marlos Bittencourt

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